Cabeça de Touro

Comumente, nos deparamos com grande parte dos interessados a adquirir um filhote da Raça Rottweiler, exigir por característica principal e preponderante, que sejam “Padrão Cabeça de Touro”. Essa designação parece já estar enraizada no cotidiano popular, de tal maneira a fazer
parecer crer que se trata de um “Tipo Especial de Rottweiler” e, por consequência, de maior valor ou de padrão superior. Mas será mesmo que essa designação existe tecnicamente ? Há de se observar que tais dogmas, muitas vezes, tornam-se referências para o mercado e são conceituados até, pelos pseudo formadores de opinião existentes no meio, que “buscam melhorar o padrão estético” dos seus Rotts, abrindo mão da manutenção das melhores características naturais e instintivas do Rottweiler Uma outra situação semelhante também ocorre aqui no Brasil, popularizou-se o dogma da existência de “Rottweilers Padrão Americano” que, nada mais são que rottweilers cujo padrão era o alemão do final da década de 70 e meados da década de 80.
Sendo a raça desenvolvida pelos Alemães, cabe então exclusivamente ADRK , a incumbência de estabelecer parâmetros técnicos de padronização dos exemplares da raça, lembrando sempre que, qualquer padronização é sempre sazonal, ou seja, altera-se com o decorrer dos anos. Nesse sentido, parece razoável entender que, um determinado cão que seja o padrão

(padrão correto)
exemplar em determinada época, pode perfeitamente não o ser em outra. As designações de “Cabeças de Touro”, “Padrão Americano” e quaisquer outras, devem ser sempre interpretadas como meros linguajares populares e regionalizados, visando estabelecer algum tipo de critério de Marketing comparativo. Em síntese, dizer que o genuíno Rottweiler alemão é o “Cabeça de Touro”, é o mesmo que dizer que o genuíno Pastor Alemão é o “Partor Preto Preta” ou o “Cão Policial”, ou seja, uma série de designações sem sentido algum.
Mas, afinal de contas, como surgiu a designação “Cabeça de Touro” para os Rottweilers ? Para entender, nos aprofundemos um pouco mais sobre essa questão, ao observarmos atentamente um Rottweiler em posição de alerta (guarda). Notaremos por mero efeito comparativo que, de certa maneira, assemelha-se à imagem da silhueta da cabeça de um touro. Percebe-se pela análise comparativa das figuras abaixo, o que embasa e caracteriza tal
designação, é simplesmente uma equivalência geométrica trapezoidal, entre as duas cabeças e nada mais. Mas, há de se observar que, não é somente essa característica que estabelece o padrão de qualidade de um Rottweiler. Trata-se apenas e tão somente de uma condição fenotípica localizada e que condiciona os leigos, a estabelecê-la como um critério técnico de padrão de excelência, a ponto de torná-la mais importante que inúmeras outras características positivas da raça, tornando as demais, até certo ponto irrelevantes ou menos importantes aos olhos do leigo. Trata-se de um grande erro e que, condiciona a grande maioria das pessoas leigas a vincular a aquisição de um exemplar da raça, à uma única condição que, muitas vezes, nem é a melhor em relação ao conjunto das demais características igualmente importantes.

(visão popular)
Em outras palavras, não existe tecnicamente um “Rottweiler Cabeça de Touro”. Essa designação, visa apenas e tão somente, fixar no subconsciente dos mais leigos como estratégia de marketing, uma imagem comparativa e que inspire um símbolo de força, de potência ou algo nessa condição, fazendo com que essa “marca” se transforme na principal característica
do “produto”, sobrepondo-se até mesmo a este.